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Opinião: Practical Magic 2 prova que nostalgia sozinha não sustenta filme

Sequência estreou com apenas 35% no Rotten Tomatoes após quase 30 anos de espera. O que deu errado quando o hype encontrou a tela?

por Redação GeekNaVeia3 min de leitura

Ilustração de um chapéu de bruxa ao lado de uma bola de cristal rachada e brilhante
Ilustração de um chapéu de bruxa ao lado de uma bola de cristal rachada e brilhante

Tem uma armadilha clássica no cinema de continuações tardias: quanto mais tempo o público espera, maior a régua que o filme precisa alcançar. Practical Magic, de 1998, nunca foi um sucesso estrondoso de bilheteria na época, mas ganhou status de cult ao longo dos anos, daqueles filmes que viram tradição de outubro, revisitados todo ano perto do Halloween. Quando Sandra Bullock e Nicole Kidman confirmaram que voltariam para uma sequência quase três décadas depois, a expectativa não era pequena.

Practical Magic 2 estreou nacionalmente em 11 de setembro de 2026 e, com todo esse acúmulo de expectativa nas costas, tropeçou na recepção crítica: 35% de aprovação no Rotten Tomatoes, com base em 91 resenhas.

O que os críticos apontaram

A queixa mais recorrente não recaiu sobre o elenco: Bullock e Kidman, de volta ao papel das irmãs Owens amaldiçoadas, cujos amores morrem de forma trágica, ainda entregam a química que fez o primeiro filme funcionar. O problema apontado foi estrutural. Os críticos descreveram um enredo de mistério mecanicamente cansativo, que se apoia demais em resolver uma trama investigativa e esquece o que tornava o filme original gostoso de assistir: o equilíbrio entre magia doméstica, humor leve e os momentos mais sombrios da história suavizados por cenas de pura diversão entre as irmãs.

Na leitura dos críticos citados pela Parade, a investigação ocupa o espaço da atmosfera que conquistou os fãs do original.

Por que isso importa além do filme em si

Practical Magic 2 é só o exemplo mais recente de um problema que Hollywood insiste em repetir: tratar nostalgia como garantia de qualidade. Trazer o elenco original de volta gera manchete, trailer com boa visualização e conversa nas redes semanas antes da estreia, mas nada disso substitui um roteiro que entenda por que aquele filme específico, entre tantos outros dos anos 1990, se tornou querido.

Para quem guarda carinho pelo original, rever Sandra Bullock e Nicole Kidman pode ser só parte do apelo. A mistura de conforto e magia caseira também pesa nessa expectativa. Um enredo de mistério cansativo, por mais bem-intencionado que seja, ocupa o espaço que a atmosfera deveria ocupar, sem entregar o que estava sendo prometido.

O peso de reviver um cult

Filmes de culto carregam uma armadilha específica que blockbusters recentes não têm: o público que os ama não descobriu o filme na estreia, descobriu ao longo dos anos, no boca a boca, nas maratonas de outubro, nas listas de “filmes de bruxa para assistir no Halloween”. Esse tipo de carinho é construído devagar e por motivos pessoais, o que torna a régua de uma sequência ainda mais difícil de acertar. Não basta repetir cenário e elenco: é preciso entender o que, especificamente, fez aquele filme virar ritual para tanta gente.

É esse ponto que a crítica descrita pela Parade parece capturar quando fala da ausência dos “momentos de pura diversão” que equilibravam os momentos mais sombrios do primeiro filme. Practical Magic original nunca escondeu que lidava com luto, violência doméstica e maldição, mas sempre encontrava espaço para leveza entre as irmãs Owens. Um roteiro focado em resolver um mistério, por mais competente que seja tecnicamente, tende a empurrar esse tipo de respiro para segundo plano.

Assista pelo link “Abrir no YouTube” abaixo.

Trailer publicado pela Warner Bros. em junho de 2026. Material promocional com cenas da trama; serve para conhecer o filme e não sustenta, por si só, a avaliação crítica do artigo. Áudio em inglês.

Crédito: Warner Bros. Pictures Abrir no YouTube (nova aba) ↗

Uso: Player oficial; direitos reservados aos titulares. Sem download ou republicação do arquivo. Condições de uso (nova aba) ↗

O que fica de lição

A recepção descrita pela Parade aponta um limite das continuações tardias. Quando um estúdio decide reviver uma história querida, o risco maior não está em errar no elenco ou na produção técnica, está em confundir o que fez o público amar o original com o que é fácil de vender numa campanha de marketing.

Trazer os rostos certos de volta é só metade do trabalho. A outra metade é lembrar por que a gente gostava daquele mundo, para começo de conversa. É esse vínculo com o original que uma sequência precisa compreender.

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