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3I/ATLAS: a passagem e as pistas sobre sua origem

A passagem de 2025 e as análises de 2026 são etapas diferentes. Veja o que foi observado e o que continua sendo inferência sobre o cometa.

por Redação GeekNaVeiaatualizado 4 min de leitura

Ilustração de um cometa brilhante cruzando um céu estrelado acima da silhueta de um telescópio
Ilustração de um cometa brilhante cruzando um céu estrelado acima da silhueta de um telescópio

3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar confirmado a passar pelo Sistema Solar. Sua descoberta foi comunicada em 1º de julho de 2025 pelo levantamento ATLAS, em Rio Hurtado, no Chile. O encontro aconteceu no ano passado; parte das análises dos dados veio depois.

Essa separação importa. Uma notícia de pesquisa em 2026 não significa que o cometa esteja fazendo uma nova aproximação da Terra agora. Este texto, revisado em 30 de outubro de 2026, é um explicador sobre a passagem e as pistas científicas, não um guia de avistamento atual.

Como se reconhece um visitante interestelar

Segundo a NASA, a velocidade e a trajetória hiperbólica indicam que 3I/ATLAS não estava preso ao Sol numa órbita fechada. Ele atravessou o Sistema Solar, em vez de seguir um circuito periódico ao redor da estrela.

A comparação correta é com cometas periódicos, que têm órbitas fechadas. Não cabe dizer que todo cometa do nosso sistema volta em poucas décadas ou séculos. Também não identificamos a estrela de origem deste visitante só por saber que veio de fora.

Seu nome registra a descoberta: 3I indica o terceiro objeto interestelar, depois de ’Oumuamua e 2I/Borisov. Coma e cauda são parte das observações que sustentam sua classificação como cometa.

Cometa 3I/ATLAS com uma nuvem azulada de poeira, cercado por rastros de estrelas no registro do Hubble.Ver imagem na fonte (nova aba)

Registro do Hubble em 21 de julho de 2025. Os riscos ao redor são estrelas de fundo: o telescópio acompanhava o movimento do cometa.

Crédito: NASA, ESA, David Jewitt (UCLA). Processamento: Joseph DePasquale (STScI). Ver imagem na fonte (nova aba) ↗

Uso: Uso informativo com crédito, conforme as diretrizes de mídia da NASA; sem endosso. Condições de uso (nova aba) ↗

A passagem de 2025

A maior aproximação do Sol ocorreu no fim de outubro de 2025. A FAQ da ESA registra 29 de outubro, a cerca de 203 milhões de quilômetros. Esses são os valores adotados aqui, atribuídos à agência: páginas de divulgação podem apresentar atualizações e arredondamentos diferentes.

A aproximação mínima da Terra foi em 19 de dezembro de 2025, a cerca de 270 milhões de quilômetros, conforme a ESA. NASA e ESA informam que a passagem não ofereceu perigo ao planeta. São distâncias e eventos passados, não uma previsão de aproximação futura.

A cronologia também ajuda a ler uma imagem. A data em que um telescópio observou o cometa, o dia em que os dados chegaram e a publicação de um estudo não precisam coincidir. Uma imagem divulgada depois não foi necessariamente feita naquela semana.

Observar de longe também produz ciência

Mars Express e ExoMars Trace Gas Orbiter observaram o cometa perto da passagem por Marte, em outubro de 2025. A Juice fez observações em novembro. Segundo a ESA, os dados completos da Juice chegaram à Terra em fevereiro de 2026.

Isso distingue a campanha de observação da etapa de recebimento e análise. Não houve, neste relato, visita ao núcleo ou coleta física de uma amostra. Estamos falando de instrumentos que registraram o objeto à distância.

Pra interpretar um resultado, vale perguntar o que foi medido: luz, gás, poeira ou posição no céu? Uma conclusão sobre formação pode depender da relação entre esses registros e modelos. Ela não tem o mesmo significado de uma fotografia ou de uma medida direta de temperatura no local de nascimento.

Um berço muito frio: o que o estudo sugere

O estudo liderado por Lea Ferellec, publicado em Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e apresentado pela RAS, analisou gases ionizados da cauda com o instrumento WEAVE, no William Herschel Telescope.

A relação entre nitrogênio molecular e monóxido de carbono levou a equipe a inferir uma formação em condições provavelmente abaixo de −240 °C, longe da estrela de origem. Esse limite não deve virar “perto de −240 °C”: a diferença muda o que o resultado afirma.

É uma inferência sobre condições de formação, não uma medição da temperatura atual do núcleo. Ela também não fornece, sozinha, uma idade exata nem o nome da estrela onde o cometa nasceu. Associar automaticamente esse frio a uma origem mais antiga que o Sol confundiria questões diferentes: condições de formação e idade precisam de evidências próprias.

O que fica em aberto

Nossa leitura é que o interesse do objeto está nessa possibilidade de comparar material de outro sistema com os cometas que conhecemos. Mas comparação não autoriza preencher todas as lacunas de sua história.

As observações são compatíveis com um cometa natural. Não há, nas fontes usadas aqui, evidência de uma nave. O assunto rende mais quando a pergunta passa de “e se fosse alienígena?” para “qual observação sustenta esta conclusão?”.

3I/ATLAS segue sua trajetória de saída do Sistema Solar. Os dados da passagem permitem estudar sua composição sem transformar hipóteses sobre o passado numa biografia fechada do visitante.

Assista pelo link “Abrir no YouTube” abaixo.

Vídeo da NASA sobre a descoberta do cometa, publicado em julho de 2025. Áudio em inglês; confira as opções de legenda no player.

Crédito: NASA Jet Propulsion Laboratory Abrir no YouTube (nova aba) ↗

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